Entenda a diferença entre inovação disruptiva e destruição criativa

Entenda a diferença entre inovação disruptiva e destruição criativa

Vamos começar o texto com dois conceitos interligados:

  • Destruição criativa: ocorre quando novas soluções substituem produtos já consagrados e provocam uma mudança na economia. Por exemplo Vinil X CDs;
  • Inovação disruptiva: ocorre quando novos produtos revolucionam algo já existente, geralmente resolvendo as necessidades dos consumidores de forma mais simples e mais barata. Por exemplo, Google X Listas telefônicas, Uber X taxis, Netflix X locadoras, ou ainda EAD X ensino presencial.


Destruição criativa

Quem cunhou esse conceito foi Joseph Schumpeter em 1942. Ele foi um economista austríaco e autor do livro “Capitalismo, Socialismo e Democracia“, e foi a base para o neoliberalismo e o neoconservadorismo.

Segundo ele, a concorrência de um produto pode vir de qualquer lugar. Até mesmo dentro da própria empresa.

Um bom caso a ser citado é o iPod, um sucesso estrondoso de vendas da Apple. Em apenas quatro anos, vendeu mais de 10 milhões de unidades. Um ano depois vendeu o dobro!

iPod – Apple: 10 milhões de unidades em 4 anos

Era impossível ver alguém que não tivesse um aparelho desses nas mãos para ouvir sua música preferida no metrô, nos ônibus, nas ruas, onde quer que estivesse.

Um parêntese: esse conceito de música em qualquer lugar faz lembrar o Walkman – aparelho que tocava fita cassete – posteriormente substituído pelo Discman – que tocava CDs e era também um lançamento recente.

A ascensão do iPod foi o início da queda das lojas físicas de música, aquelas que vendiam basicamente CDs. Ninguém mais tinha disposição em ir até uma delas para comprar um disco, gostar de duas ou três músicas e descartar as outras. Com o iPod o usuário faz a sua playlist escolhendo as que mais lhe agrada.

A Apple poderia desfrutar de tamanho sucesso do iPod por anos a fio, mas o inquieto Steve Jobs não pensava assim. Logo após o pico de vendas do aparelho, a Apple começou a investir maciçamente no iPhone, que acabou sendo o objeto de desejo de nove entre dez pessoas.

iPhone – Apple: “engoliu” o sucesso do iPod

Não era apenas um aparelho celular. A qualidade de vídeo, do áudio e a tela touchscreen revolucionaram todo o segmento. Seu sucesso foi tão grande que acabou engolindo o uso do iPod como aparelho que servia apenas para ouvir música. Com o iPhone, a Apple ainda criou um streaming exclusivo e fechou parcerias com diversos artistas para ter um canal só seu.


Produtos diferentes não são destruição criativa

Vimos como dois produtos de uma mesma empresa se comportam, mesmo que suas funções não sejam similares. Mas no caso da Apple, um acabou canibalizando o outro. O produto que sobreviveu (iPhone), além de ter a mesma capacidade para ouvir música, era multimídia e oferecia diversas funções.

Segundo Schumpeter, o mais comum no mundo dos negócios é a competição entre empresas. Por isso, é importante estar de olho na concorrência e saber o que ela está produzindo.

Imagine se Steve Jobs ficasse acomodado com o sucesso do iPod…



Disquete de 8,5 polegadas sendo inserido em um drive de leitura

O caso dos disquetes de computador é um belo exemplo.
No início, eram aqueles bem fininhos de 8,5 polegadas, como mostra a imagem acima. Armazenar dados nele e poder carregá-lo para outro computador era o máximo da tecnologia.

Só tinha um porém: sua capacidade de armazenamento era ínfima se comparado com os drives atuais. Estamos falando de ‘apenas’ 80kb (dependendo do modelo), mas para a época era revolucionário.

A necessidade de maior espaço para armazenagem impulsionou as indústrias a criarem o disquete de 3,5 polegadas que tinha uma capacidade de memória incrível de 1,44Mb.

Com o passar do tempo a tecnologia foi ficando mais sofisticada, novos programas foram sendo criados com maiores capacidades de processamento e as empresas partiram para outros lançamentos, como os CDs, DVDs, HD externo, pen drive, até chegarmos na computação em nuvem (Cloud Computing).

Perceba que a própria necessidade nos levou a soluções de armazenagem cada vez melhores, com equipamentos menores e até mais baratos. Isto é o que podemos chamar de destruição criativa –  quando um produto suplanta o outro por oferecer novas vantagens aos consumidores.


Inovação disruptiva, o que é?

É a transformação de uma tecnologia, produto ou serviço em algo novo, mais simples, conveniente e acessível, tornando o seu antecessor ultrapassado. A definição é de Clayton M. Christensen, um professor de Harvard que em 1997 publicou seu estudo O Dilema do Inovador.


Vamos para a prática:

Imagine você terminando seu expediente e está louco para chegar em casa:

  • Chama um Uber ou 99Taxi pelo celular.
  • Ao sair da empresa, o carro está esperando por você em frente ao lugar onde trabalha.
  • Durante o trajeto, como está muito cansado, prefere ouvir sua música preferida no Spotify a conversar com o motorista.
  • Em casa, senta-se no sofá e liga o Netflix para assistir sua série favorita.
  • De repente, você lembra que precisa pagar uma conta. Pega o celular e faz o pagamento online pelo NuBank.

Pronto, agora sim dá para relaxar sossegado.

Só descrevendo seu percurso do trabalho até em casa, você já passou pela experiência com produtos que significam uma inovação disruptiva.

Então vejamos:

Uber ou 99Taxi: vieram substituir os táxis convencionais. Os serviços são melhores, oferecem a comodidade de serem solicitados por aplicativo, o usuário fica sabendo o preço que vai pagar pela corrida antes mesmo de confirmar o carro. Nem é preciso indicar nenhum percurso até o destino, o Waze (outra inovação) já faz esse serviço por você.

Spotify: é um substituto dos rádios e CDs, permite que você ouça apenas o que gosta e ainda é possível criar playlists personalizadas.

Netflix: as pessoas não são mais obrigadas a assistir a programação que os canais de televisão impõem. Na Netflix você pode escolher o tipo de filme, o título que mais deseja e a hora que quer assistir.  

NuBank: é um banco virtual, só acessível por aplicativo. Seu cartão de crédito não tem nenhuma tarifa. Toda transação é feita online.

Você ainda vai esbarrar em outras inovações disruptivas no seu dia a dia: o Wikipedia, o WhatsApp, o Airbnb e até o Google. Todos eles vieram substituir o que estávamos habituados a usar e melhoraram a oferta com os seus serviços.

A nova onda da inovação disruptiva é algo tão sério que o Citibank lançou um relatório anual com as dez novidades que mudaram o mundo naquele ano. Sua lista está se transformando em uma bíblia para investidores do mercado de capitais porque grande parte do que está nela acaba se concretizando em projetos de sucesso.

Só para ter uma ideia do que a lista já trouxe: a impressão 3D, a Internet das Coisas (IoT), os carros autômatos, a imunoterapia (técnica inovadora no combate ao câncer).

Os analistas do banco são considerados gurus, pois o que eles apostam acabam sendo um excelente investimento. O relatório está em sua quinta edição e contempla inovações como telemedicina, aviões sem piloto, carros voadores, robôs para os mais diversos fins, só para citar alguns exemplos.


Quarta revolução industrial ou Indústria 4.0

As inovações não param de surgir. Repare no número de startups criadas a cada dia experimentando novas ideias. Inovação é a palavra-chave para um projeto quebrar dogmas. Mas não fica só por aí, a inovação disruptiva não pode ser uma cópia de outro produto ou serviço. As pessoas não são ingênuas e, hoje em dia, percebem rapidamente se algo é original ou cópia (ou perto disso).

Mas para que a inovação se transforme em algo sensacional, é preciso fazer um planejamento bem detalhado, algo que os ‘investidores’ de startups exigem para apostar em algum projeto. Nele, deve contemplar todos os pontos: qual é o produto ou serviço, o custo para desenvolvê-lo, o prazo de retorno, a melhor época para lançá-lo etc.

Vivemos hoje na era do conhecimento, da inteligência artificial, das máquinas que aprendem, da computação em nuvem, do Big Data e da internet das coisas (IoT): estamos na quarta revolução industrial.

Com um simples aparelho é possível realizar muito do que é necessário para viver melhor. O nosso espaço-tempo é cada vez mais reduzido, permitindo que a comunicação entre dois pontos, em países localizados em continentes diferentes, ocorra praticamente de forma instantânea, levando apenas uma fração de segundo.

A destruição criativa e a inovação disruptiva, de certo modo, se completam para moldar o mundo em que vivemos. Enquanto na primeira há um avanço tecnológico, na outra ocorre a utilização dessa tecnologia para trazer mais comodidade aos usuários.

É como se uma fosse consequência imediata da outra e ambas fizessem parte da mesma história.

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